
Cerca de 63 mil vibraram ontem em mais uma noite gloriosa deste Benfica europeu. Na "final atecipada", assim considerada por Jesus, os encarnados garantiram a vitória frente a um Liverpool que até começou bem mas acabou mal. Os "reds" inauguraram o marcador logo aos 8 minutos, com um toque de calcanhar de Agger, a responder a um livre estudado e cobrado por Gerard. Até parecia um golo do Benfica, tal foi o ânimo dado pelo público à equipa da casa.
A partir de então o Benfica teve um período algo trémulo, mas a partir do quarto de hora foi a defesa do Liverpool que tremeu que nem varas verdes. Ocasião atrás de ocasião traduzia o poderio ofensivo benfiquista, mas que não deu em nada. Cardozo, Aimar, Di Maria, Ramires, todos tiveram lances de perigo. Em todos a bola levou o mesmo caminho, aquele que os portugueses não desejavam.
A situação ficou ainda mais "reles" para os britânicos, quando o árbitro sueco Jonas Eriksson expulsou directamente Ryan Babbel por agressão a Luisão, mesmo debaixo das barbas do juiz, num lance em que o central do Benfica também foi advertido.
Contra dez o Benfica acreditou ainda mais que a recuperação do marcador era um cenário bem possível, até porque Rafael Benitez não tinha arte nem engenho para inverter esta situação de "invasão" benfiquista no seu meio campo.
Por pouco o Liverpool não ficou reduzido a nove, pois Insua já amarelado pontapeo Aimar dentro da sua grande área. Grande penalidade assinalada pelo árbitro. Oscar Cardozo foi chamado à cobrança do castigo máximo e não perdoou. Reina ainda adivinhou o lado, mas o remate era mais potente que as bombas atómicas de 1945.
Aos 79 minutos Carragher desviou a bola com o braço e foi "amarelado". Novo livre da marca de 11 metros. Nova oportunidade para o 7 do Benfica. Novo golo. Nova explosão de alegria na Luz, que quase deitava abaixo as bancadas da "Catedral". Estava consumada a reviravolta no marcador, a segunda consecutiva num jogo europeu, após a alcançada em Marselha.
Só depois do 2-1 é que o técnio espanhol do Liverpool fez alterações na sua equipa. Mas nada podia fazer. Eriksson apitou para o final e o Benfica fez a festa. Mas atenção, pois uma derrota lusa em Anfield Road por 1-0 pode deitar tudo a perder.
Jorge Jesus satisfeito com a exibição da sua equipa. Rafa Benitez ainda acredita na passagem.
O treinador do Benfica estava feliz e falou numa vitória "justa".
"Foi um jogo emotivo, com grandes jogadores de ambas equipas que podem fazer golo a qualquer momento. Acho que vencemos justamente. Fomos uma equipa que soube jogar mais em função da baliza adversária", disse ele.
Quanto ao jogo da próxima 5ª feira, Jorge Jesus afirmou que "em Liverpool temos capacidade para fazer golos. Mas também sei que do outro lado está uma equipa que vai fazer golos". Este jogo que se avizinha é considerado pelo técnico encarnado como o mais complicado da temporada, de "itensidade alta".
Por seu turno, Rafael Benitez está confiante na recuperação da eliminatória em Liverpool, perante o aguerrigo público dos "reds". "O Benfica é uma equipa forte, mas em Anfield Road vamos contar com o apoio dos nossos adeptos. Temos confiança que será possível dar a volta ao resultado", afirmou.
Arbitragem em análise.
Neste jogo houve de tudo.
Jonas Eriksson teve momentos de distracção, dos quais o mais crítico foi o do lance em que o Liverpool viu um golo ser anulado por fora-de-jogo a "el niño". Mas o assistente Stefan Wittberg há muito que tinha a bandeirola levantada. A distracção pode ser justificada pela possível falha do sinal "beep" ou pela péssima colocação do árbitro no terreno de jogo, literalmente de costas para o assistente num lance de bola parada.
Eriksson também teve outro lance de colocação incorrecta, também na cobrança de um livre directo a favor do Benfica em que, mais uma vez, pôs-se de costas para o assistente. As leis obrigam a que o árbitro se coloque num plano privilegiado sobre o lance mas também sobre o assistente.
Graças ao árbitro de baliza, Stefan Johannesson, o livre que resultou em golo do Liverpool não foi considerado penalty, pois a infracção foi cometida fora da área e o atleta da equipa inglesa acabou caindo dentro da área. E também foi este careca sueco que deu indicação da "mão" de Carragher, no lance do segundo penalty para os encarnados.
Notas positivas na expulsão de Babbel, no referido fora-de-jogo a Fernando Torres, e nas duas grandes penalidades para o Benfica.
Notas negativas em outros dois que não foram assinalados a pender para os encarnados e no perdão dado a Insua, já admoestado, quando cometeu a falta que originou o primeiro penalty. Nota negativa também, e como é lógico, para a sua distracção e péssima colocação em certos períodos do jogo.
"No name boys" lançaram petardos para o relvado.
O jogo também ficou marcado pelos petardos atirados pelos "No name boys" para dentro do terreno de jogo. O encontro foi interrompido em ambas as ocasiões, pois tanto um dos assistentes como o Pepe Reina se queixaram dos ouvidos após o rebentamentos daqueles objectos.
Infelizmente ainda não há controlo sobre estas coisas que em nada beneficiam o espectáculo, e agora o Benfica teme por um castigo que possa ser aplicado pela UEFA.
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