Ontem assistimos a um sempre escaldante "derby" à moda do Minho, entre as duas mais importantes e emblemáticas equipas da região, o SC Braga e o Vitória SC.
Um derby é sempre um derby e, como tal, não é o mesmo se não tiver grandes doses de emoção, ainda para mais quando se fala de uma equipa que ainda luta pelo título e outra que procura o 4º posto.
Nestes últimos tempos, tem-se constatado uma reacção incorrectíssima por parte dos adeptos, dos elementos e dirigentes dos clubes, etc. Todos querem jogos emocionantes, mas quando assim são, ninguém, ou muito pouca gente, consegue suportá-la. O jogo de ontem foi o caso disso e que, de resto, se assemelha aos muitos jogos considerados "quentes" no nosso país. Têm em comum o facto do árbitro ser o principal foco de atenção.
Mas antes de ir à arbitragem, é lamentável haver ainda comportamentos absolutamente indecentes dentro de um recinto desportivo. Não foi preciso ver um AXA lotado para haver desacatos entre as claques. É verdade que os que pagam para entrar têm o direito de manifestar descordância com algumas decisões dos árbitros e dos treinadores. É verdade que têm o direito de apoiarem a sua equipa, quanto mais não seja para "picar" as claques adversárias, pois isso até traz algum brilho ao espectáculo. Mas nem por isso têm o direito de destruir bancadas, lançando cadeiras para as claques adversárias, enfim... Houve até quem se lembrasse de atirar um guarda-chuva para o terreno de jogo, numa altura que a meteorologia não dava garantias de bom tempo. Já é altura para aqueles que não tem comportamentos aceitáveis ficarem a assistir o jogo no pequeno ecrã.
O pior é que no meio disto tudo é o futebol português que sai prejudicado, e bastante. E numa altura em que se defende uma candidatura, conjunta com a Espanha, à organização do Mundial de Futebol em 2018/2022, a imagem de Portugal passada lá para fora é de uma atitude irresponsável e nada civilizada daqueles que não sabem assistir a uma grande partida de futebol sem causar destúrbios nas bancadas e/ou nas imediações do estádio. Todos se lembram dos confrontos entre claques do Sporting e do Atlético Madrid no jogo da liga europa. Todos também se lembram dos desacatos entre claques portistas e benfiquistas na chegada ao Algarve no dia da final da Carlsberg Cup, isto para não falar em (quase) todos os "derbys" e clássicos que envolvem as grandes equipas portuguesas. Já é tempo de alguém tomar medidas para evitar estas situações constrangedoras, aliás, vergonhosas!
Ainda hoje os mais sábios comentadores e críticos do mundo do futebol devem estar a discutir se houve ou não "penalty" neste ou naquele lance, se este ou aquele jogador mereceu o vermelho directo. Mas quem não tem tanto tempo, nem tantos meios, nem tantos ângulos de visão para decidir são eles, os árbitros. E são eles que acabam por receber as mais duras palavras dos técnicos, dirigentes, comentadores e adeptos. O jogo de ontem foi recheado de lances polémicos que deram a tal gota emocionante ao jogo. Algumas decisões passíveis de discussão, mas muitas outras correctíssimas. Houve 5 grandes penalidades, uma das quais corrigida com apoio do "bandeirinha", e bem, e 4 expulsões. Alguém dizia ontem durante o jogo que os "penaltys" existem e se existem são para ser assinalados, quando há motivo para tal. Artur Soares Dias entendeu que houve mais 4 lances de grande penalidade, assinalou-as e pronto. Não há nada a fazer. Na minha opinião, apenas o último, que deu a vitória ao Braga, é o mais polémico. Vendo algumas repetições, percebemos que o braço de Andrezinho não seria suficiente para fazer cair Renteria. Mas o ângulo da câmara que nos mostra a imagem é totalmente diferente daquele que tem o árbitro. O árbitro ao olhar para o lance vê o Andrezinho a colocar o braço em frente ao colombiano do Braga e ele cai. Claro que deve assinalar grande penalidade. Mas certamente que até Emílio Macedo teria feito o mesmo se fosse árbitro. Eu faria... Isto para não salientar os escassos décimos de segundo que um árbitro tem para tomar uma decisão. Mas pelos vistos há ainda quem não entenda isso. No meu entender os outros penaltys foram bem assinalados. Quanto aos vermelhos por acumulação, nada a dizer. Aos que foram por palavras, só o árbitro as ouviu... O caso Rodriguez, que viu um amarelo e depois um vermelho, foi um erro do árbitro, que pensou que o central bracarense já tivesse sido advertido. Ele continuou em campo, e bem. E agora pergunto: e se o árbitro não assinalasse as grandes penalidades? e se os jogadores bem expulsos tivessem continuado em campo? Creio que seria bem pior... Mas em Portugal os árbitros são "atropelados" quando assinalam e quando não assinalam, quando expulsam e quando deveriam expulsar e não o fizeram. Enfim...
A mim resta-me desejar que o futebol português adopte um rumo diferente; que as claques se comportem com a dignidade que os clubes e os restantes adeptos merecem; que os árbitros deixem de ser severamente criticados durante semanas a fio (é o que me parece que vai acontecer com Soares Dias), porque eles têm quem os avalie.
Sem comentários:
Enviar um comentário