
Jorge Jesus conseguiu o seu primeiro título enquanto treinador de um clube de futebol após o seu Benfica ter vencido o fragilizado FCPorto. No fim dos 90 minutos, o técnico encarnado dedicou a vitória ao seu falecido pai. Jesus agradeceu ainda todo o apoio dos milhares de adeptos que se deslocaram ao Estádio do Algarve.
Quanto ao jogo, até foi o FCPorto o primeiro a criar perigo com um valente pontapé de Cristian Rodriguez do lado esquerdo do ataque portista. Quim, titular na baliza do Benfica, não se deixou intimidar. Mas pouco tempo depois o outro guarda-redes em campo, Nuno Espírito Santo, não foi nada Santo, protagonizando aquilo a que popularmente se chama um "frango". Rúben Amorim rematou de fora da área, a bola bateu de forma subtil nas luvas de Nuno e depois foi o que se viu.
A partir do 1-0 foi o Benfica a tomar o controlo do jogo, com uma ou outra situação de ataque azul e branco, mas sem criar grande perigo junto à baliza à guarda de Quim. Tanto que, mesmo sobre o apito para o descanso, as águias aumentaram a vantagem. Num livre directo a 35 metros da baliza de Nuno, Carlos Martins foi ezímio na cobrança do livre e colocou o esférico junto ao poste esquerdo da baliza, inalcançável para o guarda-redes portista.
Ao intervalo Jesualdo tirou um desinspirado Rúben Micael e ainda Miguel Lopes, já amarelado, para fazer entrar Valeri e Fucile. Ainda assim o FCPorto não foi capaz de lutar pelo resultado, nem mesmo com a entrada do regressado Orlando Sá.
Jorge Jesus guardou para os últimos 10/15 minutos os seus "trunfos". Entraram Saviola e Cardozo, e aos 92 minutos o paraguaio estabeleceu o resultado final em 3-0, depois de um remate ao poste de Rúben Amorim.
Jorge Sousa apitou para o final do encontro e foram os cerca de 18 mil adeptos benfiquistas presentes no recinto de Faro/Loulé que fizeram a festa. O Benfica conquistou cunsecutivamente 2 Taças das Liga, em apenas 3 edições da embrionária competição.
Confrontos entre adeptos antes do jogo. Chuva de cadeiras no interior do estádio.
Por volta das 16h chegaram às imediações do Estádio do Algarve as dezenas de autocarros que trouxeram os adeptos de ambos os clubes, nomeadamente as claques. As câmaras televisivas mostravam autocarros com vidros partidos e com apoiantes em cima do tejadilho, gestos obscenos exibidos pelos mesmos adeptos e cânticos insultuosos à equipa adversária. Os maiores problemas surgiram, e não é inédito, da claque "Super Dragões".
O que se via em Faro era uma autêntica correria como as que se assiste anualmente em Pamplona, com os populares a fugir aos touros, passo à analogia. Polícias de Segurança Pública e elementos da Guarda Nacional Republicana zelavam pela ordem na zona. Atiravam-se pedras, garrafas, e muito mais. Algumas pessoas ficaram feridas, duas até chegaram a receber tratamento hospitalar. Não houve detidos, mas as autoridades levaram alguns adeptos alcoolizados para identificação.
A ordem ainda não estava reestabelecida. Foi então necessária a entrada da cavalaria para pacificar os movimentos das claques portistas. Tudo isto aconteceu porque os autocarros com os adeptos do FCPorto estacionaram mais a Sul do que seria de esperar, levando a que os adeptos dos dragões chegassem mais abaixo onde estavam os do Benfica, lançado o caos em geral.
A situação acabou resolvida depois de cerca de 30/40 minutos de insegurança.
Já no interior do estádio, inúmeros petardos fizeram-se ouvir e até houve um que rebentou sobre a rede de uma das balizas, atrasando em 5 minutos o início da partida. Já antes de começar a segunda parte os adeptos portistas, os mais conflituosos, desataram a atirar cadeiras para a baliza que iria ser defendida por Quim, o mesmo que afirmou ao árbitro não estar disposto a jogar naquelas condições. A situação resolveu-se e o jogo foi retomado com novo atraso.
Mais um episódio lamentável de um grupo de adeptos que não sabem contemplar com fair-play e desportivismo o belo espectáculo que é o Futebol.
Arbitragem globalmente positiva.
Se há coisa que difere totalmente esta final da Taça da Liga da do passado ano é a arbitragem. Jorge Sousa e seus auxiliares, José Ramalho e José Luís Melo, tiveram uma prestação positiva, embora com algumas falhas, nomeadamente no capítulo disciplinar. Mostrou serenidade na forma como controlou o jogo, preferindo ficar-se pelas palavras nalguns lances que pediam mais que isso.
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