sexta-feira, 4 de junho de 2010

Haverá sucesso africano?



É já de hoje a oito que África do Sul e México darão o pontapé de saída deste Mundial de Futebol, a realizar no extremo sul do continente africano. Jornalistas portugueses que já lá chegaram descrevem um país pronto, mas ainda com algumas lacunas em reparo, como o caso que algumas vias rodoviárias que ainda se encontram em expansão e manutenção. Mas mesmo assim, não há dúvidas que este mundial será um sucesso.

No que a selecções diz respeito, só uma entre as 32 terá o dito sucesso que todas ambicionam, quando levantar o caneco no Soccer City de Joanesburgo, a 11 de Julho.

Entre as selecções apuradas encontramos 6 do continente africano: Camarões, Nigéria, Costa do Marfim, Gana, Argélia e, claro, a anfitriã África do Sul. Os povos destes países, mas sobretudo todo o povo africano deposita esperanças nestas selecções. Num ano em que, pela primeira vez um Mundial é disputado em solo africano, também todos os africanos esperam que seja o primeiro mundial a ser ganho por um país africano.

Aliás, nunca uma equipa africana chegou a uma final de um campeonato do mundo. A etapa mais avançada a que uma equipa africana conseguiu chegar foi os quartos de final, e apenas por duas vezes. Os Camarões chegaram a esta fase no Mundial de 1990, sendo eliminados pela Inglaterra (3-2). Já no Mundial da Coreia/Japão, em 2002, foi o Senegal a chegar aos quartos. A equipa na altura treinada pelo francês Bruno Metsu acabou por ser eliminada pela Turquia (0-1), fruto do já inexistente "golo d'ouro".

No Mundial de 2006, o Gana foi a única selecção africana a transitar para os oitavos de final. Nesta fase, o Brasil levou a melhor (3-0). Togo, Angola, Tunísia e Costa do Marfim não foram capazes de chegar aos 16 melhores.

Depois de, no Mundial da Alemanha, a Costa do Marfim ter estado no chamado "grupo da morte", com a Argentina, a Holanda e a Sérvia-Montenegro, os elefantes voltam a estar no "grupo da morte". Agora os companheiros do grupo G são o Brasil, a Coreia do Norte e Portugal. Se os costa-marfinenses tivessem sido sorteados num outro grupo que não este, seriam certamente favoritos à passagem à fase seguinte. Mas num grupo onde há 3 equipas com aspirações a tal e uma outra que pode, e tentará com certeza, baralhar as contas do grupo, a Costa do Marfim vê-se novamente numa situação difícil. Mas mesmo assim, continua a ser a principal esperança africana neste Mundial. A Costa do Marfim é a selecção mais apetrechada de talentos em todo o continente africano. Apenas refiro Drogba e Kalou (Chelsea), Eboué (Arsenal), Kolo Touré (Man.City), Yaya Touré (Barcelona), Zokora (Sevilha) e Koné (O.Marselha). 6 jogadores de altíssima competição, com grande experiência. E melhor que isto é ter ao comando um devorador, uma raposa do futebol mundial: Sven-Goran Eriksson! Sem dúvida que podem chegar bem longe neste mundial, mas esperemos que para tal Portugal não fique pelo caminho...

A selecção dos Camarões é outra esperança africana. Também está num grupo difícil, com a Holanda - dispensa apresentações, a Dinamarca, que fez a vida negra a Portugal no apuramento e vai voltar a fazê-lo de certeza no caminho para o Euro-2012, e o Japão, que há bem poucos dias atrás deu a cara, e muito bem, frente a uma Inglaterra que só conseguiu o triunfo no último quarto de hora com dois autogolos nipónicos. De qualquer modo, podemos teoricamente juntar os Camarões à Dinamarca no lote de segundos favoritos à passagem neste grupo E. A Holanda é 100% favorita.

Os africanos têm em Samuel Eto'o a principal figura e a principal seta à baliza adversária. Cá atrás, o seleccionador francês Paul Le Guen conta com jogadores como Alexandre Song (Arsenal) e Jean Makoun (Lyon). O meio-campo desta equipa já recebeu grandes elogios pela qualidade de posse de bola. A grande fragilidade é a defesa, e o jogo com Portugal na Covilhã mostrou isso mesmo, ainda que os camaroneses tenham jogado com menos um durante cerca de uma hora. A selecção dos Camarões inicia a sua caminha frente ao Japão, em Bloemfontein, depois jogam em Pretoria frente à Dinamarca (jogo que pode definir muito deste grupo E) e termina a fase de grupos frente à "laranja mecânica", na Cidade do Cabo.

A selecção africana que era uma esperança mas agora já nem cai em ilusões é o Gana. É que a principal figura, Michael Essien, não vai ao Mundial, devido a uma lesão. Ainda assim, num grupo onde está a Alemanha, a Sérvia e a Austrália, o Gana pode surpreender. No futebol tudo é possível. Sem Essien, a figura passa a ser Muntari do Inter de Milão. Mas o melhor é esperar para ver.

A Nigéria regressa ao Mundial depois a ausência no de 2006. Depois de ter alcançado os oitavos de final nos mundiais de 1994 e 98, os nigerianos procuram uma chegada aos quartos de final. Mas primeiro há que ultrapassar no grupo B adversários de nome como a Argentina, a Grécia e a Coreia do Sul. A selecção alvi-celeste é a grande favorita, mas depois dela tanto os africanos, como os gregos e os coreanos têm hipóteses de passar à etapa seguinte. É mais um grupo equilibrado onde qualquer prognóstico pode ser precipitado.

Obi-Mikel do Chelsea é a grande estrela desta selecção que, como é hábito, virá vestida de verde de cima a baixo. Além de Mikel não devemos esquecer jogadores como Obafemi Martins do Wolfsburgo e Yakubu do Everton. É uma equipa que sem qualquer estrela nas posições mais recuadas, apresenta uma defesa consistente, o que no mundial pode valer muito nas contas do apuramento. A Nigéria defronta primeiro a Argentina no Ellis Park de Joanesburgo, depois joga com a Grécia em Bloemfontein e termina a fase de grupos frente aos sul-coreanos em Durban. É uma forte esperança africana, ora não estivesse vestida de verde.

A Argélia teve de recorrer a um jogo de desempate no Sudão para eliminar o Egipto e garantir a presença no Mundial. No grupo C, com a super-favorita Inglaterra e ainda com os Estados Unidos da América e a Eslovénia, os argelinos não partem nem como segundos favoritos. Mas mesmo assim, há que recordar a boa prestação desta selecção no CAN 2010, que ficou no 4º lugar. Os jogos com o Egipto para o apuramento ao Mundial foram muito bons. A Argélia conta com jogadores como Karim Ziani do Wolfsburgo, mas também os conhecidos Yebda, que passou pelo Benfica, e ainda Halliche do Nacional da Madeira. Não tem assim grandes nomes, mas tem jogadores que jogam em ligas europeias bastante competitivas, na Escócia, na França, na Alemanha, na Inglaterra, na Espanha, Itália e Grécia. Repito que não é favorita ao 2º lugar, mas pode cair em graça sem ser engraçada.

Finalmente temos a África do Sul, o país organizador. Carlos Alberto Parreira não tem estrelas, mas o fortíssimo apoio do público promete ser decisivo. As únicas participações dos sul-africanos em Mundiais foram em 1998 e 2002, não passando da fase de grupos. Frente à França, ao México e Uruguai, a África do Sul, se fosse num mundial noutro país qualquer, seria o principal candidato a ficar pelo caminho. Mas a história diz-nos que o factor casa é decisivo. Portanto, teremos de esperar para ver o que esta equipa consegue fazer. Esperemos é que não haja qualquer tipo de semelhança com o que ocorreu no Mundial de 2002 em que a Coreia do Sul foi autenticamente "levada ao colo" até às meias-finais. Mas também esperemos que a França não seja beneficiada como tem vindo a ser nestes últimos meses...

Perante esta análise, não há nenhuma equipa africana com sucesso garantido neste Mundial. Mas que há muita qualidade e possibilidades de passagem às fases seguintes, lá isso há.

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